Ansiedade e estresse estão agravando problemas de memória



Muitos fatores podem levar à perda de memória. São eles a ansiedade, alterações do sono, utilização de remédios para depressão, infecções, hipotireoidismo e, nos casos mais graves, doenças neurológicas, como o Alzheimer. Nos últimos anos, as queixas referentes aos problemas de memória têm crescido muito e agora com a pandemia estamos vendo um agravamento dos sintomas. Mas realmente estamos mais esquecidos?


As pessoas precisam ficar atentas para a diferença entre falta de atenção e a perda de memória. A falta de atenção ocorre quando a informação não é armazenada, não “entra na memória”. Já a perda de memória acontece quando a informação é “perdida”, como o esquecimento do nome de parentes, por exemplo. O estresse e a depressão são fatores que influenciam muitas vezes na falta de atenção. A alimentação e a prática de exercícios são importantes para manter a memória em dia.


A hipertensão, diabetes, o colesterol alto, o tabagismo e o álcool são fatores de risco para a perda da memória, pois todos começam a acelerar o processo de envelhecimento das artérias. O processo começa com a obstrução nas micro artérias, ocasionando perda de sangue em regiões do cérebro, causando pequenas isquemias e assim os neurônios ficam sem nutrientes e morrem. Por isso é importante praticar atividade física que ajuda a diminuir os fatores de risco, promove maior vascularização cerebral e assim aumentar a ação dos neurotransmissores.


Ficar atento a alguns sinais pode ajudar na prevenção da alteração da memória. A partir dos 65 anos é o período que geralmente este problema começa a ocorrer. É importante reparar se a pessoa esquece fatos recentes. Depois se esquece de eventos mais antigos. Se não lembra onde deixou objetos e/ou se esquece do nome das pessoas. Esses são alguns sinais do problema. Muitas vezes sinais de uma demência na fase inicial podem ser confundidos com depressão.


Um fator muito importante para a saúde do cérebro é a qualidade do sono. Ter um sono completo com todas as fases ajuda a memória. A fase REM aumenta a atividade cerebral, o que é essencial para a codificação de informações úteis. O sono é um recuperador de energias. Ele ajuda a levar mais energia para os neurônios, promovendo as sinapses. Quando acontece a diminuição das sinapses (que é a ligação entre os neurônios), acontece a perda de memória, que é uma limitação na comunicação entre os neurônios. A falta de sinapse faz com que eles fiquem sem energia e comecem a morrer.


Uma das doenças que mais afetam a memória é o Alzheimer. Uma doença neurológica e degenerativa, que se manifesta através de uma demência progressiva, que aumenta sua gravidade com o tempo. Os sintomas iniciam lentamente e se intensificam ao longo dos anos. São três fases: inicial, moderada e avançada e em cada fase os sintomas vão se agravando até a incapacidade total do doente. Não existe remédio para reverter esse avanço. Hoje os medicamentos servem para tornar mais lento o processo. As medicações estimulam os neurotransmissores no cérebro.


*Andre Gustavo Lima, neurologista. Membro da Academia Brasileira de Neurologia. Diretor da Neurovida


Fonte: Estadão