De AVC's a alucinações, o novo coronavírus provoca lesões cerebrais até nos doentes menos graves



Ao contrário do que se pensava até aqui, os problemas neurológicos podem ser, até, o primeiro e único sintoma da covid-19.


As sequelas potencialmente fatais da covid-19 que afetam o cérebro, tais como AVC, delírios ou alucinações , podem ser mais comuns do que se pensava inicialmente. O alerta é de uma equipa de médicos britânica University College London (UCL). Chamam-lhe "pandemia oculta". 


Lançado esta quarta-feira, o estudo, publicado na revista Brain, refere inclusivamente que, ao contrário do que se pensava, os problemas neurológicos podem ser, até, o primeiro e único sintoma da covid-19. 


Dos 43 pacientes acompanhados, doze doentes tiveram inflamação do sistema nervoso central, dez tiveram psicose ou delírios, oito tiveram acidentes vasculares cerebrais e pelo menos oito tiveram problemas no sistema nervoso periférico, na maioria diagnosticados como casos da síndrome Guillain-Barré, uma doença autoimune que ataca os nervos e causa paralisia. 


Macacos e leões


Até aqui, os médicos estavam atentos aos casos cada vez mais numeroso de doentes que apresentavam, a longo prazo, diversas queixas de ficarem sem folego e cansados por muito tempo. Em vários casos, as sequelas nervosas foram detetadas em pacientes com infeções leves. 


Um dos pacientes descritos no estudo, sem historial de qualquer doença psiquiátrica, começou a comportar-se de forma estranha dias depois de ter alta do hospital, após ter sido diagnosticada com covid-19. Vestia e despia o casaco repetidamente e começou a ter alucinações: dizia que via macacos e leões em casa. 


Outra mulher, de 47 anos, foi internada com dores de cabeça e dormência na mão direita, uma semana depois de ter febre e tosse. Precisou de ser operada de urgência para remover parte do crânio e assim aliviar a pressão no cérebro inflamado.  


Tiros no escuro 


 A maioria dos doentes que participaram no estudo foi diagnosticada com encefalomielite aguda disseminada (ADEM, também conhecida como encefalite pós-infecciosa), uma doença rara geralmente observada em crianças após infecções virais. 

"Identificámos um número de pessoas com perturbações neurológicas superior ao esperado (...), que nem sempre se relacionava com a gravidade dos sintomas respiratórios", de acordo com Michael Zandi, do Instituto de Neurologia Queen Square da UCL. 

O estudo mostra, no entanto, que nenhum dos pacientes diagnosticados com problemas neurológicos tinha o vírus no seu líquido cefalorraquidiano, o que sugere que o vírus não atacou directamente o seu cérebro. 


"Uma vez que a doença só existe há alguns meses, ainda não sabemos que danos a longo prazo a covid-19 pode causar", nota Ross Paterson do Instituto de Neurologia Queen Square da UCL. 


De facto, nem tudo se sabe. Os especialistas receiam que a dimensão do problema não foi sequer, verdadeiramente detetada, já que a debilidade e fragilidade de muitos pacientes impede a realização de pesquisas mais exaustivas.


Fonte - Contacto

APAN | Associação Paulista de Neurologia

Assessoria de imprensa 

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