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Dr. Marcel Simis explica sobre o AIT em entrevista ao Estadão

O que é Ataque Isquêmico Transitório (AIT), que acometeu Renato Aragão, o ‘Didi’?


Nesta quarta-feira (7/12), o humorista Renato Aragão, de 87 anos, deu entrada no Hospital Samaritano, na zona oeste do Rio de Janeiro, após sofrer um Ataque Isquêmico Transitório (AIT) e precisar ser hospitalizado. O comediante - mais conhecido como o Didi, do programa Os Trapalhões - está estabilizado e se encontra em observação, mas o ocorrido acendeu um alerta sobre esta condição médica.


O AIT é uma interrupção do fluxo sanguíneo nas artérias que vão para o cérebro. No entanto, diferente de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), ele ocorre de forma temporária, costuma durar menos de meia hora e pode ter até 24 horas de duração.


Segundo o neurologista Marcel Simis, do Instituto de Medicina Física e Reabilitação da Universidade de São Paulo (USP), durante o AIT ocorre um entupimento arterial que, se não desentupido, pode vir a se tornar um AVC, popularmente conhecido como derrame. No entanto, se for desentupido em curto período de tempo, não deixa nenhuma lesão neuronal.


“Um AIT inicia igual um AVC, você só vai diferenciar um do outro porque o AIT se diverge e o AVC se instala. Ou porque realmente a artéria não desobstruiu e o AVC se instalou. Ou ainda porque essa obstrução durou tanto tempo que levou a um dano neuronal”, explica.


AIT pode ser primeiro indício de AVC

O ataque isquêmico transitório é muito comum, principalmente por ser um possível primeiro indício de AVC. De acordo com a Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares, o AIT pode preceder o AVC isquêmico em uma parcela que vai de 9,4% a 26% dos casos.


A atenção deve ficar redobrada após ser acometido pelo déficit, pois o risco de acidente vascular cerebral pós AIT são de 24% a 29% nos primeiros 5 anos, de 4% a 8% no primeiro mês e 12% a 13% durante o primeiro ano.


Apesar de não se ter uma forma determinante de evitar a condição, o AIT contém fatores de risco que podem ser controlados ou modificados, dentre eles estão o colesterol alto, diabete e hipertensão não tratados, estresse, apneia do sono, tabagismo, obesidade, alcoolismo e sedentarismo.


Percebi os sintomas do AIT, o que fazer?

Os sintomas de um ataque isquêmico são súbitos, ou seja, ocorrem repentinamente e incluem fraqueza, paralisia de um lado do corpo, perda de sensibilidade ou sensibilidade anormal, fala arrastada, confusão acompanhada de dificuldade em compreender a linguagem e falar, visão turva, tontura ou perda de equilíbrio e coordenação.


“A pessoa sente a instalação de algum déficit de forma súbita” explica o médico, que ressalta serem os mesmos sintomas do AVC. “Ficou com metade do corpo fraco de forma súbita? Ficou sem sentir metade do corpo? Não consegue falar? Está com o rosto torto? Procure um pronto-socorro com urgência.”


Simis também dá algumas dicas e orientações para quem percebe os primeiros efeitos em si mesmo ou em alguém que está próximo. “Olhe no relógio e veja que horas começaram os sintomas, existem tratamentos que podem ser feitos até quatro horas do início dos sintomas”. O neurologista também indica chamar o Samu e se direcionar imediatamente ao pronto-socorro mesmo que os sintomas parem rapidamente.


“Precisa identificar se houve alguma causa que precisa ser tratada na urgência, e também ficar em observação. Existe uma chance aumentada de haver ali em sequência um AVC e é melhor já estar no pronto-socorro”, complementa.


O AIT tem tratamento e não deixa sequelas

O AIT se percebido rapidamente pode ser tratado nas primeiras quatro horas após início dos sintomas com medicamento chamado de trombolítico, que é aplicado no sangue desfazendo o coágulo, ou por meio de cateter inserido na artéria para desobstrução.


Além disso, existe o tratamento profilático que busca evitar um novo ataque e é feito a partir dos fatores de risco. “Tem apneia do sono? Trata. Tem hipertensão alta? Trata. Tem colesterol alto? É sedentário? Faz atividade física, atividade aeróbica, tudo isso para evitar ter um novo AIT”, explica Simis, que também ressalta a inexistência de sequelas para esse tipo de déficit neurológico justamente por ser passageiro.


No caso de avançar para um AVC, é preciso fazer a reabilitação.




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