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Pós-Covid: dois anos de risco elevado de problemas neurológicos

Pessoas que tiveram Covid-19 permanecem com risco elevado de desenvolver problemas neurológicos e psiquiátricos por até dois anos após a infecção, sugere uma pesquisa da Universidade de Oxford publicada nesta quarta-feira (17/10).


O estudo, publicado na revista "The Lancet Psychiatry", do grupo "The Lancet", observou pacientes que tiveram Covid e fez uma comparação com pessoas que tinham sido infectados com outros vírus respiratórios.

Entre os problemas que apareceram mais após a infecção pelo coronavírus estão psicose, demência, "névoa mental" e convulsões.

A pesquisa também identificou um risco maior, entre adultos, de desenvolver depressão e ansiedade, mas que diminuiu dentro de dois meses após a infecção.


“É uma boa notícia que o maior risco de diagnósticos de depressão e ansiedade após a Covid-19 é de relativamente curta duração e não há aumento no risco desses diagnósticos em crianças", avaliou Maxime Taquet, professor de Oxford que liderou as análises.

"No entanto, é preocupante que algumas outras condições, como demência e convulsões, continuem a ser diagnosticadas com mais frequência após a Covid, mesmo dois anos depois”, observou.


As observações foram feitas com base em 1,25 milhão de registros públicos de saúde de pacientes dos Estados Unidos que tiveram Covid desde o início da pandemia, em janeiro de 2020.

"Os resultados têm implicações importantes para pacientes e serviços de saúde, pois sugerem que novos casos de condições neurológicas ligadas à infecção por Covid-19 provavelmente ocorrerão por um tempo considerável após o término da pandemia", apontou Paul Harrison, autor sênior do estudo.

Crianças e adolescentes

O estudo foi o primeiro em larga escala a analisar o risco de problemas neurológicos e psiquiátricos em crianças que tiveram Covid: ao todo, foram incluídos mais de 185 mil menores de 18 anos.


As crianças e adolescentes também passaram a ter probabilidade maior de desenvolver convulsões e problemas psicóticos, mas o risco foi menor do que o visto entre adultos (veja gráfico mais acima nesta reportagem).


A pesquisa também foi pioneira em avaliar como os riscos mudam conforme o surgimento de novas variantes: a variante delta foi associada a mais distúrbios do que a variante alfa, "original". Já a variante ômicron foi associada a riscos neurológicos e psiquiátricos semelhantes aos da delta.


“O surgimento da variante delta foi associado a um aumento no risco de várias condições; no entanto, é importante observar que o risco geral dessas condições ainda é baixo", observou Taquet.


"Com a ômicron como a variante dominante, embora vejamos sintomas muito mais leves diretamente após a infecção, taxas semelhantes de diagnósticos neurológicos e psiquiátricos são observadas como com a delta, sugerindo que a carga sobre o sistema de saúde pode continuar mesmo com variantes menos graves em outros aspectos", lembrou.


Estudo anterior

Um estudo observacional anterior do mesmo grupo de pesquisa já havia relatado que pacientes que tiveram Covid corriam risco maior de desenvolver problemas neurológicos e psiquiátricos nos primeiros seis meses após a infecção.


Até agora, entretanto, não havia dados em grande escala examinando os riscos desses diagnósticos por um período de tempo mais longo.


"Nosso trabalho também destaca a necessidade de mais pesquisas para entender por que isso acontece após a Covid-19 e o que pode ser feito para prevenir ou tratar essas condições”, afirmou Harrison.

Os autores alertam que existem algumas limitações importantes a serem consideradas na pesquisa: o estudo pode não contabilizar casos autodiagnosticados e assintomáticos de Covid-19, pois é improvável que sejam computados em registros eletrônicos de saúde


Além disso, eles não analisaram a gravidade ou a duração de cada condição após o diagnóstico – ou se elas foram semelhantes em relação a outras infecções respiratórias.




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