Sem descuidar da cabeça



O cérebro é normalmente protegido de doenças infecciosas pelo que é conhecido como barreira hematoencefálica — um revestimento de células especializadas dentro dos capilares que atravessam a massa cinzenta e a medula espinhal. Se a Covid-19 consegue penetrar essa barreira, o vírus pode sim danicar o sistema nervoso central, como também permanecer na região com o potencial de retornar anos depois. Por isso, assim como vem fazendo a cabeleireira Sônia Marta Rocha Marinho, é crucial o acompanhamento médico após a recuperação.


“Existem relatos de casos de pacientes que, após a cura da Covid, desenvolveram a Síndrome de Guillain Barré (uma inamação grave nos nervos). Essas alterações de nervos periféricos podem persistir mais tempo nessas pessoas que tiveram infecções graves ou com maior período de internação. Mesmo depois da alta hospitalar, é importante manter o acompanhamento com neurologista para observação constante do quadro, avaliando se ocorre progressão ou melhora de problemas cerebrais”, alerta o médico Marco Túlio Pedatella.


Especialistas armam que é bastante importante o diagnóstico inicial de complicações cerebrais para evitar sequelas mesmo após a total recuperação pela doença. Os exames vão desde a análise do líquor, conhecido também como líquido cefalorraquiano (LCR) e que faz o mapeamento de doenças que atuam no sistema nervoso central, à eletroencefalograa, eletroneuromiograa e até biópsia cerebral. “O tratamento deverá ser guiado conforme a complicação neurológica apresentada pelo paciente”, destaca o médico Rodrigo Castro.


Segundo o neurologista, a Academia Brasileira de Neurologia está desenvolvendo um projeto entre os membros a m de identicar o impacto do vírus no sistema nervoso central em um grupo de pacientes com Covid-19, para que no futuro se possa ter respostas para o possível aumento de problemas neurológicos crônicos, assim como foi descoberto com a gripe espanhola. De acordo com estudos britânicos, houve efeitos colaterais duradouros semelhantes aos descobertos naqueles que se recuperaram da doença em 1918.


Enquanto algumas vacinas já estão em fases avançadas de testes e com previsão apenas para 2021, a melhor prevenção contra o novo coronavírus segue sendo o distanciamento social, a utilização de máscaras e a constante higienização das mãos, com água e sabão ou álcool em gel. “Outras medidas preventivas a serem implementadas para prevenir futuras complicações deverão ser utilizadas conforme o quadro clínico e consequentemente a fase da doença em que o paciente se encontra”, reforça o neurologista Rodrigo Castro.


Fonte - O Popular

APAN | Associação Paulista de Neurologia

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