Diagnóstico: perda de memória?



Perder a memória não é coisa da idade. Também não significa doença. Os esquecimentos podem ser sintomas de que algo não vai bem no corpo e as causas são diversas. Hipotiroidismo, diabetes, falta de vitaminas e até medicamentos para o sono podem influenciar no bom funcionamento da memória.


Segundo Leonardo Cruz e Souza, professor de neurologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do departamento científico de Neurologia Cognitiva da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), desde causas clínicas gerais até doenças degenerativas podem nos deixar esquecidos, em qualquer idade.


No caso de problemas não degenerativos, os sintomas são tratáveis e reversíveis. A dificuldade é entender o que está acontecendo. Já as doenças neurológicas trazem problemas tratáveis, mas sem cura.


“O Alzheimer é a causa mais comum do problema de memória, mas geralmente só aparece em pacientes acima dos 70 anos. E o Alzheimer não é a única causa de demência degenerativa”, diz, lembrando de outras doenças que causam a morte progressiva dos neurônios.


Além do Alzheimer, a demência com corpos de Lewy (DCL) também pode ocasionar problemas na memória, mas os casos são menos comuns.

 

E na juventude?

Tirando as doenças degenerativas, as principais causas de esquecimentos são geralmente dos mais jovens. Nesse caso, segundo Souza, acontece muito de os pacientes terem a impressão de que a memória não está boa. Afinal, são muitas informações no dia a dia.


Após a avaliação neuro-psicológica, em grande parte das vezes se descobre que a pessoa tem a memória esperada para a idade e escolaridade dela.


“Por isso, uma das primeiras coisas que o médico precisa fazer é se certificar se, de fato, há um problema. Principalmente na faixa etária dos mais jovens, que tendem a ter uma exigência grande da memória e, às vezes têm a percepção de que ela não está boa”.


Quando há mesmo uma causa, entre as mais comuns estão estresse, depressão, diabetes, falta de vitamina B12, apneia do sono por conta da falta de oxigenação correta do cérebro, transtorno de ansiedade e até o uso de medicamentos.


A neurologista e professora da Unimes Andréa Anacleto acrescenta ainda que, durante a avaliação, o médico precisa saber como é o dia a dia do paciente.


“Para entender se essa pessoa é estressada, se presta atenção no que está acontecendo ao redor. Com o envelhecimento, é comum o desvio cognitivo. A velocidade do raciocínio não é tão ágil, o que não é patológico”.


Bombando a memória

Andréa explica que não há para pessoas saudáveis nenhum remédio que funcione como uma espécie de anabolizante da memória. Porém, alguns exercícios retardam o aparecimento de quadros demenciais degenerativos, mesmo em quem tem propensão a tê-los.


O sinal de alerta para buscar ajuda, segundo Anacleto, é perceber que os esquecimentos atrapalham o cotidiano. Exames clínicos e laboratoriais podem identificar causas e corrigir. 

“Perder a memória nunca é normal. Falta de memória ou amnésia deve ser sempre encarados como um sintoma, como uma tosse ou mancha na pele. Por isso, devem ser investigados”, diz Souza.


Atenção

Existem alguns tipos de memórias, entre elas as de curto e longo prazos, mas também as chamadas memórias procedurais. São as que ajudam na performance de atividades comuns. Em geral, são memórias corporais.


Para guardá-las, o cérebro leva mais tempo, mas a partir do momento do registro, a tendência é de não se esquecer mais – como andar de bicicleta. A repetição é muito benéfica para essa memória, assim como para todas as outras.


Exercícios movimentam o cérebro e direcionam pesquisas

É certo que a prática de esportes faz bem para o corpo. Mas, uma descoberta recente e publicada este ano por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) provou como o exercício físico ajuda também a mente e a memória. A novidade abriu caminhos para pesquisas para a cura do Alzheimer.


Quem lembra é a professora de Neurologia da Unimes Andréa Anacleto. Segundo ela, o trabalho científico que despertou o interesse do mundo inteiro mostrou que é possível inclusive reverter danos já causados pela doença. 


Publicado na revista Nature Medicine, o estudo fez um teste. Submeteu um grupo de camundongos numa piscina, uma hora por dia, cinco vezes na semana. Já se sabia que o comportamento normal dos ratinhos era escolher brinquedos novos, quando apresentados pela primeira vez. Isso, antes de terem Alzheimer. 


Mas, após cinco semanas de treino na piscina, os cientistas perceberam que as cobaias com Alzheimer não tinham mais os sintomas e passavam a interagir novamente com novidades. 


“Tudo por causa de um hormônio produzido com a atividade física, a irisina. Já se sabia que ela ajudava no combate à gordura localizada, mas não que ela fortalecia as sinapses – conexões entre as células nervosas –, justamente as mais prejudicadas nas pessoas com Alzheimer”, diz Andréa. 


Para comprovar os resultados, os cientistas mediram a irisina produzida durante a atividade física e deram a outro grupo de camundongos sedentários a mesma substância, de forma sintética, imitando o hormônio. Os resultados foram iguais.


“Quem quer melhorar ainda mais a memória deve esquecer a farmácia e escolha o exercício, ainda mais em Santos, uma cidade com clima bom para andar, pedalar, nadar e fazer tanta coisa boa ao ar livre”, indica a médica.


Andréa ressalta que outros estudos também já mostraram que outras atividades cognitivas ajudam: tocar instrumento musical, falar outros idiomas, cultivar a leitura ao longo da vida e dançar têm potenciais interessantes inclusive para atrasar o aparecimento de demências.


Fonte – atribuna.com.br

APAN | Associação Paulista de Neurologia

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