Espanha cria unidades hospitalares para tratar sequelas deixadas pela Covid-19



Apesar das milhares de pessoas que recuperaram da infeção de Covid-19 e que não apresentam qualquer tipo de sintoma, esta por vezes não desaparece sem deixar rasto. Muitos dos doentes recuperados ficam com sequelas a longo prazo e, por isso mesmo, já estão a ser criadas unidades hospitalares para prestar os devidos cuidados.


Dificuldades respiratórias, cicatrizes pulmonares e risco de trombos (coagulação de sangue no interior do vaso sanguíneo) são alguns dos problemas mais frequentes e que persistem depois dos doentes receberem a alta hospitalar ou, no caso de estarem a ser tratados em casa, o comunicado oficial em como estão curados.


A Covid-19 é uma doenças que para além dos diferentes sintomas, também podem deixar as mais diversas sequelas. Desde muito cedo que se concluiu que o novo coronavírus poderia danificar alguns dos órgãos, colocando em causa o seu bom funcionamento. Apesar dos pulmões serem o órgão mais afetado, também os rins, o fígado e o coração podem ser atingidos. O SARS-Cov-2 pode provocar tromboses, inflamar os vasos periféricos e danificar a substância que protege os nervos. Em situações mais críticas, pode mesmo causar uma encefalite (uma irritação e inchaço do cérebro, quase sempre causada por uma infeção), que pode, consequentemente, resultar em delírios e desorientação.


São vários os estudos a decorrer à volta destas sequelas, mas ainda não se sabe exatamente quando surgem, qual a gravidade e quanto tempo podem demorar até desaparecer. No entanto, segundo o El País, existem hospitais em Espanha que já se estão a preparar para lidar com estes problemas, com a criação de unidades especiais para cuidar deste tipo de casos. Contam com equipas de especialistas de pneumologia e doenças infecciosas.


Cicatrizes pulmonares 


Os casos mais graves são, na sua maioria, aqueles que passaram pela unidade de cuidados intensivos. Segundo Joaquim Gea, chefe do serviço de Pneumologia do Hospital del Mar, em Barcelona, "30% dos doentes que passaram pelos cuidados intensivos, e muitos outros menos graves, continuam a sentir fadiga quando realizam esforços, mas também quando estão eu repouso", devido às dificuldades respiratórias.


Isto deve-se aos constrangimentos que o novo coronavírus coloca no intercâmbio de oxigénio durante a respiração e o dióxido de carbono que retorna ao sangue para ser expulso para o exterior. Outras das razões são as cicatrizes deixadas no tecido pulmonar, que retiram elasticidade ao pulmão, provocando assim um desconforto respiratório.


De acordo com os especialistas, as cicatrizes pulmonares são comuns em infeções respiratórias e, normalmente, a melhorias começam a ser visíveis ao final de seis meses a um ano. No caso do SARS-CoV-2, essas cicatrizes são mais graves e a recuperação pode ser mais demorada.


Perda de força


Como referido anteriormente, este vírus pode inflamar os vasos periféricos e danificar a substância que protege os nervos. Ora, isso origina perda de força nas pernas, que se pode fazer sentir com uma sensação de formigueiro e perda de massa muscular. 

Neste quadro, os doentes já recuperados sentem, por exemplo, dificuldades em caminhar ou em coisas mais simples como levar uma colher à boca.


Para estes casos estão a ser criadas unidades hospitalares com especialistas em neurologia. A perda de olfato também integra o grupo de casos avaliados nestas unidades.


Capacidade de reativar o sistema nervoso


O Dr. Matías-Guiu, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Clínico San Carlos, em Madrid, explicou que a Covid-19 também pode desenvolver perda de mielina e que isso pode resultar em efeitos degenerativos no cérebro a longo prazo.


De recordar que o último balanço apontava para 27.117 mortos em Espanha, 236.259 infetados e 150.376 recuperados.


Fonte – TVi 24

APAN | Associação Paulista de Neurologia

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