Pandemia: levantamento global aponta queda de mais de 60% nos atendimentos de AVC

Pesquisa destaca que não é um indicativo de que as pessoas estão deixando de ter a doença, mas sim de que elas estão evitando procurar ajuda



Apesar de ser a segunda maior causa de morte no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) não tem recebido o merecido cuidado em tempos de pandemia. Levantamento recente do World Stroke Organization (WSO) apontou queda global de mais de 60% nos atendimentos de AVC após o início do isolamento social. 


Esse dado, de acordo com os especialistas, não é um indicativo de que as pessoas estão deixando de ter a doença, mas sim de que elas estão evitando procurar ajuda especializada com medo de serem contaminadas pelo novo coronavírus, principalmente nos hospitais. O fato é que outras doenças também requerem atenção, independentemente da covid-19.


"Não podemos deixar as pessoas morrerem em casa. Trata-se de uma emergência grave de saúde. Durante um AVC, aproximadamente 120 milhões de células cerebrais morrem por hora, se podemos controlar essa condição, seja de forma clínica ou cirúrgica, não devemos ficar de braços cruzados", informa Gisele Sampaio Silva, médica neurologia e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.


Para a Dra. Gisele, que atua tanto na rede pública, no Hospital São Paulo, como no setor privado, no Hospital Albert Einstein, embora tenhamos realidades diversas no país, o AVC precisa ser prevenido e tratado em qualquer circunstâncias. "Mesmo tendo cenários mais críticos em determinados estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Pernambuco, Amazonas, Maranhão, Pará e Bahia, por conta da covid-19, não devemos desassistir os pacientes com AVC".


Segundo Carla Moro, neurologista e Presidente do Conselho Fiscal da Associação Brasil AVC, é inaceitável que devido à pandemia aumentemos o número de indivíduos incapacitados por um AVC ou mesmo que venham à óbito. "Estamos vivendo um período especialmente delicado, mas o impacto das sequelas de um derrame no individuo acometido e seus familiares estará presente para o resto de suas vidas", aponta a médica.


Para o neurologista Pedro Magalhães o atendimento médico urgente fornece a chance de tratamento da doença com a retirada dos coágulos que estão bloqueando as artérias, devolvendo a oxigenação ao cérebro. Entretanto, esta medida deve ser adotada o mais precocemente possível para que os danos irreversíveis sejam minimizados, aumentando a chance de sobrevivência e de vida independente. Mesmo durante a pandemia, os hospitais de referência para tratamento do AVC estão organizados para fornecer o tratamento da doença cérebro vascular, assim como, minimizar os riscos de exposição do paciente ao novo coronavírus.


"Sabemos que a população está assustada, com receio de ir ao hospital, entretanto é extremamente importante a ação frente a suspeita de um AVC, por isso neste momento desafiador, é preciso redobrar a atenção aos seguintes sintomas que aparecem subitamente, como boca torta, fraqueza em um dos lados do corpo e dificuldade para falar, porque são sinais claros de que a pessoa pode estar tendo um derrame, sendo necessário agir urgentemente ligando para o SAMU 192, ou buscando o hospital de referência imediatamente. Somente com a conscientização de que o AVC tem cura, poderemos poupar vidas e todo o sofrimento relacionado as sequelas neurológicas permanentes determinadas pela doença".


Por outro lado, ainda temos o efeito bola de neve, conforme lembra Sheila Martins, vice-presidente da World Stroke Organization e fundadora da Rede Brasil AVC. "Acreditamos também que é possível que o sedentarismo, alimentação inadequada, abuso de álcool pelo isolamento social e o fato das pessoas deixarem de tomar remédios de rotina no controle de comorbidades por estarem sem consultas médicas, aumentem o risco de AVC", complementa.


Em jovens 


O aumento do número de casos graves de AVC, principalmente, em jovens e em pacientes com covid-19, mesmo sem sintomas respiratórios, sugerem que o vírus aumenta o risco da doença cerebrovascular por vários motivos. Pensando em todas essas questões, a World Stroke Organization, está trabalhando a campanha #avcnãofiqueemcasa a nível mundial para conscientizar a população.


Sobre AVC


• É uma alteração súbita do fluxo sanguíneo cerebral que pode ser tanto isquêmico, quando falta sangue em uma região do cérebro por causa de uma obstrução, quanto o hemorrágico, quando um vaso sanguíneo é rompido.

• Sintomas: Perda de força ou dormência numa metade do corpo, boca torta , dificuldade para falar frases simples e para enxergar em um ou ambos os olhos, repentinamente, tontura e dor de cabeça insuportável, diferente do habitual.

• Dados Brasil: são mais de 400 mil novos casos todos os anos e a cada cinco minutos, uma pessoa morre, totalizando mais de 100 mil mortes por ano


Fonte – Folha Vitória

APAN | Associação Paulista de Neurologia

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