Tempo e Medicina



No dicionário, ele aparece como “relativo à ideia de presente, passado e futuro”, e/ou como significância de “determinado período”. No dia a dia, é sujeito de frases de domínio público, de letras de música, de pensamentos filosóficos.


Tempo! É dele que falamos. Aliás, que nos perdoe o poeta, o tempo não para - realmente.


Na Medicina, há o lado bom: minutos e horas passam às badaladas de novas descobertas, de avanços científicos. Todos ganhamos com isso, a assistência em saúde evolui, diagnósticos e tratamentos crescem em precisão, em eficácia.


De fato, o tempo é revolucionário para nós, os médicos. Veja a área da Neurogenética, que tem se destacado demais em anos recentes. É imenso o valor da descoberta de novos genes relacionados a doenças que previamente tinham sua etiologia desconhecida; é um marco da Ciência.


Outro exemplo de transformação da Medicina, tendo a passagem de tempo como pano de fundo: há menos de um ano, a telemedicina, teleconsultas e teleorientação nem eram regulamentadas. Hoje, temos normatização em caráter de excepcionalidade, é fato. Só que os médicos já incorporaram essas ferramentas como forma de qualificar e ampliar acesso e atendimentos.


Por outro lado, o tempo também cobra um preço. Você estuda seis anos, faz mais três de uma residência e vira médico especialista. Perfeito? Não, quase perfeito.


Se não estudar mais, se não participar de eventos de atualização, em uma década, quando muito, poderá ser um historiador da Medicina antiga. Médico especialista, não mais.


Estudos apontam que o conhecimento em nossa área é renovado quase que completamente em dez anos. Em cinco, metade das publicações caducam.


Daí, a imperiosidade de uma atualização científica permanente, de alto nível e balizada por bons mestres. A Associação Paulista de Neurologia (APAN) e a Associação Paulista de Medicina investem fortemente no desenvolvimento continuado dos médicos, sempre com eventos de excelência.


Agora mesmo, em 27, 28 e 29 de maio, promovem o XIII Congresso Paulista de Neurologia. Conceituado no cenário nacional, será totalmente on-line neste 2021, debatendo questões de relevância à prática diária e, em especial, ao enfrentamento da Covid-19, incluindo o pós e as sequelas neurológicas.


Enfim, a mensagem é simples: o tempo pode ser benéfico sempre, desde que façamos bem nossa parte de rever os conhecimentos por toda a trajetória profissional.




Rubens Gagliardi, presidente APAN

José Luiz Pedroso, 1º Tesoureiro ABN