UTCD pode entrar na CBHPM


Nos últimos anos, a ultrassonografia transcraniana duplex (UTCD) tem sido estudada como instrumento diagnóstico em neurologia. Com a crescente produção de publicações atestando a sua eficácia em reconhecimento de determinadas doenças neurológicas, o assunto volta à pauta da Câmara Técnica da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM).


O Departamento Científico de Neurossonologia, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), está na vanguarda em busca da maior utilização desse exame e foi o responsável por apresentar a discussão frente à câmara. O intuito é colocar a UTCD no rol de procedimentos para auxiliar na difusão do método em todo o país.


A prática é realizada em poucos lugares do Brasil, presente apenas em alguns centros do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Com essa iniciativa “Os serviços públicos, que já oferecem o exame, serão remunerados e haverá uma estimulação à capacitação dos profissionais”, pontua Rita de Cassia Leite Fernandes, vice-coordenadora do DC de Neurossonologia da ABN e professora adjunta de Neurologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.


De acordo com evidências, a UTCD apresenta diversos aspectos positivos que se sobressaem em relação a outros métodos de neuroimagem como a Ressonância Magnética. Além de ser inofensivo, é um exame que se destaca pela praticidade. Com baixo custo, utiliza equipamentos disponíveis na rede de saúde e não apresenta a necessidade de sedar o paciente.


Outro ponto relevante é a boa visualização de estruturas cerebrais na linha média do cérebro, local de anormalidades nas doenças do movimento, como a Doença de Parkinson. O exame tem a capacidade de fornecer 90% de precisão para identificar a patologia. Segundo Rita “Os outros métodos de neuroimagem não identificam alteração estrutural na topografia”. Informações sobre possíveis diagnósticos como hidrocefalia e alterações vasculares também podem ser identificadas.


A apresentação da demanda para a câmara é de extrema importância para a Neurologia. Para Rita, essa ação esclarece o papel dos profissionais da área “ Os Neurologistas e os Neurorradialistas são os especialistas mais aptos a identificar estruturas na patogênese da Doença de Parkinson, outros transtornos do movimento e interpretar os achados da UTCD”.


A discussão sobre a prática deve-se ao ineditismo e ao pouco conhecimento, em geral, das pesquisas que já validaram a sua utilidade e capacidade de auxiliar o Neurologista. O tema volta a ser debatido em novembro por aguardar o posicionamento do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR).


“Esse parecer é fundamental porque os radiologistas, assim como os neurologistas, são os profissionais mais gabaritados para dominar a técnica e executar o exame, já que dispõem do conhecimento neuroanatômico necessário para a interpretação dos achados ultrassonográficos.”, comenta.

APAN | Associação Paulista de Neurologia

Assessoria de imprensa 

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